Archive for category Cotidiano

De quem é o rosto que me sorri?

Os dias na cidade seguem mornos e sem novidades até que, felizmente, alguém resolve interferir nesse caminhar. Há exatos dois meses publiquei uma foto,via Twitpic, de um rosto pintado numa caixa da companhia telefônica. Na verdade, naquele cruzamento da Avenida Barão de Studart com Soriano Albuquerque, há duas caixas. Ali, são dois rostos a sorrir para uma Fortaleza apressada.

A cidade fica melhor assim Sorriso Sorriso para a cidade

Um olhar mais atento e   outro e mais outro sorriso foram surgindo. Doses homeopáticas de arte enquadrada. Antídotos receitados por quem mesmo? Pelo menos para mim e para a operadora de telefonia eles continuam anônimos. Encafifei de tentar descobrir de quem é a ideia, quem foi lá e mudou o cinza sem graça das esquinas. Nada até aqui.

Em contato com a assessoria de comunicação da Oi, soube que o trabalho não é resultado de projetos da companhia e que não houve qualquer pedido de autorização para que as caixas fossem pintadas. Eles apenas acompanham sem nenhum tipo de monitoramento dos locais onde já foram feitas as interferências. Mas quem sabe na AMC poderiam me dar uma informação que me levasse aos autores? Também nada.

Ia ficar quieta, observando de longe, como fiz com as declarações no asfalto aqui perto de casa, publicadas no O Povo de hoje, mas resolvi dividir com vocês minha vontade de agradecer. Seja quem for que ousou ofertar um sorriso à cidade, já em vias de ficar mal humorada, o meu muito obrigada! Pela sensibilidade, pelo presente, foi lindo!

7 Comentários

Mais de oito mil palavras

Fotos feitas da janela do carro, sem intenção clara, apenas registros descompromissados da cidade.

10 Comentários

Flores

O almoço na casa de minha mãe teve, além dos sabores da comidinha simples domingueira, as cores e aromas do jardim e do quintal. Passei a tarde feito besta a clicar florezinhas. Olha só que lindinhas!

As flores do quintal_foto:Maísa vasconcelos

3 Comentários

Então é dia das mães

E o dia termina e nasce outra vez, como na musiquinha-chiclete de final de ano. Mas o que mesmo você fez, mãe? Teve filhos desejados, curtidos antes, frutos da vontade suprema de exercer a maternidade? Ou será que, de um susto, viu seu traçado de vida mudar? Pode sentir cada instante de crescimento de um novo ser no seu ventre ou dormiu e acordou com a imensa dor do parto?

No fundo, nem importa se uma ou outra. Ser mãe é isso e aquilo, é dia e noite, claro e escuro. É acordar para a vida e viver de sobressaltos. É emoção na ida e na volta – adrenalina sempre! É entrega cotidiana sem reservas. Ser mãe é apostar na incerteza. É reconhecer a dureza da lida e nem por isso achar que pode desistir. Mas é sobretudo a infinita certeza de que o amor pelos filhos existe em si, sem pedir ou exigir retornos.

De minha parte, tenho tentado ser menos a mãe por trás da acepção da palavra. Desde sempre quis ser não só a mulher que teve filhos. Cultivo a possibilidade de uma relação de troca de experimentações, de partilha. Sinto-me viva em cada conquista ou frustração vivida pelas crias que dei à luz. Mas nessa caminhada nem sempre consigo me fazer entender. Muito mais me esqueço de ver neles um mundo novo todos os dias. Contraditório assim, como são as tentativas de acertar alvos em meio a tantos percalços. E não esqueço que sou livre para amá-los e respeitá-los sem que isso implique em culpas ou amarras. Nossos vôos nos chamam.

Sou uma filha da mãe

Família
Na minha infância era um tanto difícil o registro fotográfico. Não havia dinheiro para necessidades básicas quem dirá para “luxos”. São pouquíssimas as fotografias da família. E mesmo as que foram feitas se perderam pela ação do tempo e das malinações de menino buchudo. Éramos tantos! Somos ainda.

Essa foto que divido com você é uma de que gosto muitíssimo. Estamos, os cinco primeiros de uma penca de sete filhos, meu tio Craço e minha mãe [meu pai estava sempre no trabalho], no terreno onde ainda hoje moram meus pais. Não havia a casa ainda. Era o ano de 1969. Talvez 1970, não tenho certeza. Lembro bem do vestido vermelho de poá branco e fita de entremeio na cintura. Minha mãe tinha o hábito odiável de nos vestir a mim e minha irmã mais velha, a pequenininha do lado, com roupas iguais. Mas o que gosto mais na foto é a intimidade com que minha mãe repousa a mão sobre minha cabeça. Tão distantes e diferentes fomos por anos sem fim. Fortes e intransigentes, nos perdemos tantas vezes. Quantas vezes testei sua capacidade de me guiar! Nem sabia mas aprendi lições para a vida toda com isso.

O primeiro filho a gente nunca esquece

O primeiro filho a gente não esquece Tinha 19 anos quando engravidei. A paixão pelo menino de apenas 16 anos foi mais forte que os planos da adolescente segura, cheia de si, estudante de arquitetura, futuro desenhado para ser urbanista, livre com suas convicções dentre elas a de não ter filhos.

A gravidez escondida por medo da rejeição transformou aqueles dias em momentos de dores, mas também de muitas delícias. Tempo de descobertas arrebatadoras. Descobri que crescer assusta e faz criar coragem. Um filho pode fazer isso. Gabriel veio talvez com essa missão. Meu anjo de olhos negros, que eu quis que viesse ao mundo sorrindo, me deu vida nova ao tornar-se pai.

Salve, Antônio dos meus dias felizes

Salve, Antônio dos meus dias felizes
Tinha 31 anos, um filho de 11 e um segundo casamento feliz quando Pedro bateu à nossa porta. Tarefa aceita com muita serenidade. Nunca estive tão bem: amada, respeitada, feliz no trabalho, plena. O menino que nos fez recomeçar, chegou sem saber que era presente divino, semente de um amor tamanho que rompe fronteiras de tempo e espaço rumo à luz.

Na vivência cotidiana me traz suavidade  e gentileza, que me fazem sentir menina no seu colo de homem de 13 anos e coração maduro. Por vezes rude e imediatista, me joga de volta às incertezas e à necessidade de aprender sempre.

,

11 Comentários

Ainda sobre o 8 de março

Os últimos dias foram de trabalho puxado. Cada vez menos tenho parado de frente pro blog, o que me deixa até certo ponto frustrada. Há dias em fico completamente off line. Resultado: só hoje li o que escreveram por aí sobre o badaladíssimo Dia Internacional da Mulher.

Do que li, dou nota dez para Marjorie Rodrigues. De uma forma simples demais ela fala do desconforto que muitas mulheres sentem, sem nem saberem o motivo certo, ao receber rosinhas nessa data querida. Para quê mesmo as rosas, hein? Assino cada frase dita por ela. E transcrevo aqui o parágrafo final do texto intitulado “No dia 8 de março, dispense a rosa!“:

“Não quero rosas. Eu quero igualdade de salários, mais representação política, mais respeito, menos violência e menos amarras. Eu quero, de fato, ser igual na sociedade. Eu quero, de fato, caminhar em direção a um mundo em que o feminismo não seja mais necessário.

…Enquanto isso não acontecer, meu querido, enfia esta rosa…”

,

1 Comentário

Você sabe o nome do Lixeiro da sua rua?

Provavelmente não. Certamente os rumos da sua vida não vão mudar muito pelo fato de não saber. Não vai morrer se não souber, garanto. Mas, acredite, há quem trate o profissional responsável por recolher sacos abarrotados de nojeirinhas de forma tal como se ele próprio fosse… lixo! E isso quem diz não sou eu.

Ouvi relatos impressionantes durante a gravação de uma matéria sobre a rotina de trabalho de garis coletores nas ruas de Fortaleza. Eles chegam a percorrer [correndo] algo como 30 quilômetros; podem fazer cerca de 800 agachamentos por turno; estão sujeitos a impropérios, desprezo e desconfiança por parte da população, além de quedas e atropelamentos, acidentes com materiais cortantes e doenças transmitidas pelo eventual contato com todo tipo de sujeira.

Mesmo assim, pude ver alegria em seus rostos conscientes de que falta muito para que a sociedade reconheça a importância da função que desempenham. Nem de longe conseguiria acompanhá-los na difícil tarefa, mas ao menos tentei mostrar como é o ritmo de uma equipe composta por quatro rapazes muito moços, quase sempre sem opção de trabalho, fugindo do desemprego.

A matéria você vê nesta segunda-feira, 09 de março, no quadro “Maísa Descobre” do programa Na Boca do Povo, TV Jangadeiro. Antes disso, eis algumas fotos feitas pela produtora de externa, a Michely, durante a gravação.

maisa-descobre_dia-de-gari

Na foto de cima vemos o cinegrafista José Valdenor, o Zezinho, que penou pra acompanhar o pique da moçada. Na de baixo temos a equipe que acompanhamos, onde se vê o Igor [que não aparece muito, pois "tomei" o lugar dele no caminhão], o Alfledson, eu mesma, o Sidney e o Roberto, o mais falante de todos.

, , , , ,

6 Comentários

Em algum lugar do passado

Ronaldo Nunes, Nirton Venâncio e Maísa Vasconcelos

Quando: 1990
Quem: Ronaldo Nunes, Nirton Venâncio e eu mesma, em dias de Continuísta, cabelos à la Schneider e All Star.
Onde: Sobre as dunas escaldantes da Comunidade da Lagoa do Gengibre.
O quê: Não recordo ao certo, mas acho que o Nirton dirigia um docudrama financiado por uma instituição inglesa. Ronaldo fazia a direção de fotografia.

Encontrei a foto quando catava algum registro junto do camarada Carlito Almeida, personagem de um documentário que está sendo preparado por Camile Holanda. Justa homenagem a um dos sujeito que mais se movimentaram nos sets da filmografia brasileira. Salve, Carlito!

, , ,

3 Comentários

Shimeji na manteiga ajuda a “descrescer”

Como eu pude passar tanto tempo sem esquentar minha barriga fofinha no meu próprio Brastemp?, é o tipo da pergunta que, obviamente, vai permanecer sem uma resposta satisfatória. Mas, pensando bem, cá com meus dois botões cansados das doze horas praticamente ininterruptas de trabalho quartaferiano, ando longe daquele ideal da mulher pra casar, do tipo cama e mesa, sabe.

Faço uns pequenos (às vezes bem grandes) estragos na cozinha e não sou daquelas que acertam de primeira os ingredientes ou que inventam mil e um sabores. Bem lá no meu íntimo sofro com isso, acredite. E mais quando vagamente lembro das últimas tentativas de encarnar A Chef de Cuisine. Besteira, besta! Só me renderam gastos extras na manicure, horas a mais esfriando a barriga fofinha na pia, um aumento considerável no repertório de impropérios contra mim mesma e blá blá blá, blá blá blá.

Mas nada que uma espiadinha no horóscopo do dia não resolva, estou certa? Sim, estou certa de ter lido toda aquela verborragia redundante, algo como: “procure elevar sua auto-estima”. Saco! Mas vai daí que decidi usar aquele pratinho de shimeji que estava na geladeira antes das duas semanas após o vencimento do prazo.

Foi lindo! Satisfiz meu Brastemp, que andava saudoso de mim, e ainda por cima experimentei uma receitinha simples demais. Olha só:

  • peguei a bandeja com 200 gramas de shimeji e lavei em água corrente;
  • dividi as “flores” dos cogumelos em partes pequeninhas, que é como gosto mais;
  • daí botei tudo na minha super-hiper-mega-blaster panela Tramontina, juntamente com duas colheres das de sopa de manteiga (alôu, nada de economizar aqui, só vale man-tei-ga);
  • em seguida fiquei feito besta mexendo por oito minutos (tá, confesso que saí pra me acabar nas coreografias de Dancing Queen, vendo Mamma Mia);
  • quando já estava juntando aquela aguinha no fundo da panela, adicionei (tão receita essa palavra, né?) quatro colheres, também das de sopa, de Shoyu e mexi por mais dois minutos;
  • juntei mais duas colheres de saquê e mexi por mais dois minutinhos e… Voylà!

shimeji

Ficou uma diliça! E, quanto ao “descrescer”, tem que assistir ao Mamma Mia pra saber. Eu já disse que a-do-ro ABBA?

1 Comentário

LP

Há uns três anos meu filho mais novo me chegou da aula de Kung Fu pedindo para fazer um tal de Le Parkour. Kour de quem?, foi o que ouviu numa primeira reação. Aí o bichim me explicou mais ou menos o que era, que conheceu pela internet e veio todo animadinho me apresentar. Como as vezes, papel de mãe é se assustar e passar isso adiante, dei um estrondoso não como resposta. Imagina um pirralhinho de 10 anos, sem a consciência corporal devida, sair vor aí dando bunda canastra, saltando muro e subindo em galho de árvore? Mim não ser Jane!

Pois não é que descobri que muitos outros pais assustadinhos repetiram a mesmíssima coisa! Acontece que uns meninos mais taludos resolveram enfrentar as feras e hoje formam um grande grupo chamado “Le Parkour Fortaleza”. São jovens de vários bairros da capital que se juntam para trocar experiências e afinar técnicas. Até ensaiei de um jeito totalmente desconcertado uns primeiros movimentos.

a matéria que foi exibida hoje no Na Boca do Povo está disponível no site. E como já dá para pesacr de lá, facilito o trabalho de vocês colando aqui.

, , ,

3 Comentários

Fuibrinká

Contrariando minha religião herdada por ancestrais cheios de simancol, aceitei o convite para uma domingueira 0800. Botei a roupa de banho e levei a macacada de casa para conhecer o mais novo brinquedinho instalado no Beach Park, o Ramubrinká.

Fiz muitíssimo bem em ir. Tudo muito bem organizado. Para receber os escolhidos (e invejados) de pulseirinha azul, uma espécie de lounge chiqueeérrimo (redundante, não?) foi montado ao redor da piscina onde desaguam os afoitos. Numa das tendas pude assistir ao finalzinho show do meu ídolo, misto de cantor e arquiteto, Falcão (com direito a tietagem explícita, diga-se). Mansss, não vou nem mentir, ir naquela direção já me dá água na boca só de pensar nos sabores fruto da inventividade do Chefe Bernard Twardy. Céus!, que tapiocas finíssimas recheadas eram aquelas?! E os queijinhos e as saladas de frutas com granolinhas e os cookies e mais aquele mix de petiscos levíssimos numa fartura de dar canseira nos glutões?!

Para tentar abanar o calor saariano, sucos, sucos e mais sucos. Meu próprio paladar agradece ter provado o de limão com gengibre. Refrescante só de pronunciar, hein? E água, muita água, para o bem dos ressaqueados. E champã, claro, que é para sair bem na foto. Aliás, ramucombiná, é muito fácil identificar os mesmos rostos 3 X 4 das colunas sociais num evento desse tipo, viu. Engraçado de olhar, mas diz que gente civilizada não fica reparando nas matutices do povo, então, ramusimbora.

E, quer saber? Rôconfessar logo: foi a primeira vez que entrei no complexo aquático com a fiel intenção de brincar. De todas as outras fui para trabalhar. Funcionou o convite inicial do Falcão e a simpatia das colegas da assessoria de imprensa. E, respondendo ao Emílio, pela olhada que dei assim mais de longe na fila, a brincadeira é das boas. Pois é, meu teste de sanidade não me permite descidas radicais, daí eu fico a boiar nas orrentezas encantadas, pensando na morte da bezerra e em como é bom ser livre pra não estar nem aí pra um magote de gente besta.

Ah! A mesma religião herdada por ancestrais cheios de simancol não me permite aceitar fazer boi.

,

5 Comentários