Viver

Bora fazer festa?

Nesta quinta-feira, 04 de junho, acontece o lançamento do VIVER, caderno sobre saúde e bem-estar veiculado no jornal O Estado, e editado por mim e pela também jornalista Ian Gomes.

viver-capa-ronco1 viver-capa-prostata1

Para quem ainda não conhece, o suplemento VIVER é um produto jornalístico em formato tablóide, com circulação quinzenal, às quartas-feiras. O primeiro número, uma edição totalizando oito páginas, circulou no dia 08 de abril de 2009, com tiragem de 15 mil exemplares.

Embora tenha sido fundado em setembro de 1936, é a primeira vez que o Estadinho, como também é conhecido o jornal, encara o desafio de ter uma publicação com espaço exclusivo para o tema.

Chegue lá para dar uma sugestão, fazer uma crítica, dar um abraço. Não precisa outro convite senão este. Viva!

Local: Centro Cultural Oboé - Rua Maria Tomazia, 531, Aldeota.
Horário: 19h30

8 Comentários

Nada na vida dura para sempre

Essa deveria ser uma certeza para se exercitar cotidianamente. Não é. Somos educados para acreditar na imortalidade da alma, na vida eterna, amém. De maneira equivocada, transferimos essa crença para tudo o mais: desejos, amores, trabalho. E nos apegamos. E sofremos com interrupções, sem nos dar conta de que tudo é… movimento.

Após 16 anos, deixo a TV Jangadeiro e a apresentação do programa Na Boca do Povo. Não é pouco tempo - mais de um terço da minha vida dedicados a fazer algo que sempre me deu satisfação e orgulho. Não foi fácil a tarefa. E, embora tenha consciência da mutabilidade das coisas, não está sendo fácil esse momento de despedidas.

Ao contrário do que foi dito, não tenho projetos. Até esta quarta-feira, 27 de maio, quando fui informada pela direção da emissora do meu desligamento, não tinha outros planos. Recebi minha demissão com serenidade e civilidade, mas isso não significa que não esteja frustrada, assustada e insegura, querendo me isolar e nada dizer. Mesmo assim, tenho necessidade nesse instante de falar sobre coisas boas que me aconteceram durante esse tempo em que estive apresentadora do Boca. Mais que isso, quero dar uma satisfação aos que me acompanharam nessa trajetória e que estão sem saber os motivos da minha saída, muito embora minha versão possa ser carregada de emoção. Corro o risco.

Não vou dizer que foi uma surpresa ter sido demitida. Há uns meses percebi um descompasso entre minhas convicções e os resultados esperados com minha participação. Sem medo de julgamentos, digo que, nesses anos todos, defendi o Na Boca do Povo como uma mãe luta por sua cria. Nem sempre fui bem interpretada. Por vezes tive que calar, recuar. Dei tiros no pé, errei demais, acertei aqui e acolá, mas, acima de tudo, trabalhei com seriedade e coragem, defendendo princípios éticos sempre.

Segundo fui informada, descontente com os números na audiência, a TV Jangadeiro opta por retirar o Na Boca do Povo da sua grade de programas nos próximos dias. Em seu lugar deve ser veiculado um outro produto, de caráter mais popular. Saber da decisão pelo fim do programa é tristeza em dobro para mim. Preferia ouvir que não me encaixo, que não tenho o perfil de apresentadora para uma proposta mais agressiva rumo ao telespectador das classes C, D e E. Minha vontade não é e nunca foi soberana.

Lembro do 26 de abril de 1993 quando disse o primeiro “Olá!”, ao vivo, ainda pela Band, emissora da qual éramos afiliados. De lá para cá, estive no ar ininterruptamente, de segunda a sexta-feira, com exceção do ano de 2005, quando decidiu-se por não exibir o programa por duas semanas até que estivesse pronta a reformulação de cenários e quadros. Não conheço uma apresentadora de televisão com essa marca, nem sei de um programa na televisão brasileira com essas características e com essa longevidade.

Foram anos de muito aprendizado, de dificuldades e alegrias. A emissora que me acolheu também me permitiu experimentar sem tantos medos de errar. Conheci gente que levarei comigo para sempre. Agradeço a todos pela paciência e compreensão. E aproveito para pensar em um pedido de desculpas amplo e irrestrito. Quero me desculpar por nem sempre ter tido maturidade e capacidade de discernimento. Também peço desculpas pelas vezes que estive vesga, pela falta de percepção do outro. Preciso me desculpar pela pressa, pela falta de sorrisos e abraços. E desculpo a mim mesma pelas vezes em que pude mais e fiz menos. Também me perdôo por não ter aprendido a não querer fazer parte da casa que foi minha. Eu me perdôo pelo vazio que sinto agora.

Por enquanto não tenho nada traçado para o futuro. Sempre fui péssima em network e outras coisinhas que necessitam de um termo em inglês para se dizer. E preciso mesmo de um tempo para processar e vivenciar tudo que se mostra agora. Minhas emoções são só minhas e de mais ninguém. Eu tenho o meu tempo. Não quero guardar fantasmas, que o porão nem cabe mais. Por mais que me assuste a perspectiva de não ter um salário [aqui fala a taurina], de não ter um “sobrenome corporativo”, sei da minha capacidade de recomeçar, de buscar novas oportunidades, de criar meu posto, como bem disse um sujeito que amo e que tem me ensinado a não temer.

O que virá, nem precisa ser do mesmo jeito, tanto melhor que seja tudo diferente. Desejo com força ter competência suficiente para seguir na construção de um novo caminho profissional, novo de verdade, que possa atender aos meus anseios. Quero poder crescer trabalhando no que gosto, mas, sobretudo, preciso me sentir útil, contribuindo para o crescimento dos demais.

Já já estarei pronta para o convite: vamos juntos?

107 Comentários

Quanto vale um blog?

De acordo com este site, o MB vale hoje a estrondosa quantia de $12,673.53. Nada mal para uma blogueira de bobeira e sem DNA de empreendedora no mundo da blogosfera ou alhures [um termo pomposo nessa hora pode até fazer subir a cotação, hein].

Mas quer saber? Desde os idos de 2002, quando engatinhava nessa ferramenta, nunca me ocorreu faturar nada que não estivesse no plano da subjetividade. Escrevo o que me dá na telha quase desmemoriada e descompromissada com regrinhas. Dou-me ao direito de ir e vir, e até de dizer nada, contrariando os santos mandamentos das atualizações constantes. Por vezes nem escuto a zuada da mutuca dos Technorati da vida e nem aí para backlinks e coisinhas afins. Bananas para os pagerank!

O que não tem preço, de verdade,  é saber que o que se publiciza nesse negócio vai de alguma forma mexer com quem lê. Indiferença nunca! E isso tudo é para dizer que achei lindo tudo que foi dito aí nos comentários do post sobre as mães. Não só nos comentários, mas pelo Twitter também. Sem muita ambição ou vaidade, fazer a roda girar, incomodar, emocionar é o que se leva, definitivamente.

Valeu, povo [Daniel Fonsêca, Daniel Sampaio, Pablo Robles, Emílio Moreno, Marcelo Bloc, Mailma Vasconcelos, Aloísio Blau, Ian Gomes e Elisa Beth]!

4 Comentários

Flores

O almoço na casa de minha mãe teve, além dos sabores da comidinha simples domingueira, as cores e aromas do jardim e do quintal. Passei a tarde feito besta a clicar florezinhas. Olha só que lindinhas!

As flores do quintal_foto:Maísa vasconcelos

2 Comentários

Então é dia das mães

E o dia termina e nasce outra vez, como na musiquinha-chiclete de final de ano. Mas o que mesmo você fez, mãe? Teve filhos desejados, curtidos antes, frutos da vontade suprema de exercer a maternidade? Ou será que, de um susto, viu seu traçado de vida mudar? Pode sentir cada instante de crescimento de um novo ser no seu ventre ou dormiu e acordou com a imensa dor do parto?

No fundo, nem importa se uma ou outra. Ser mãe é isso e aquilo, é dia e noite, claro e escuro. É acordar para a vida e viver de sobressaltos. É emoção na ida e na volta - adrenalina sempre! É entrega cotidiana sem reservas. Ser mãe é apostar na incerteza. É reconhecer a dureza da lida e nem por isso achar que pode desistir. Mas é sobretudo a infinita certeza de que o amor pelos filhos existe em si, sem pedir ou exigir retornos.

De minha parte, tenho tentado ser menos a mãe por trás da acepção da palavra. Desde sempre quis ser não só a mulher que teve filhos. Cultivo a possibilidade de uma relação de troca de experimentações, de partilha. Sinto-me viva em cada conquista ou frustração vivida pelas crias que dei à luz. Mas nessa caminhada nem sempre consigo me fazer entender. Muito mais me esqueço de ver neles um mundo novo todos os dias. Contraditório assim, como são as tentativas de acertar alvos em meio a tantos percalços. E não esqueço que sou livre para amá-los e respeitá-los sem que isso implique em culpas ou amarras. Nossos vôos nos chamam.

Sou uma filha da mãe

Família
Na minha infância era um tanto difícil o registro fotográfico. Não havia dinheiro para necessidades básicas quem dirá para “luxos”. São pouquíssimas as fotografias da família. E mesmo as que foram feitas se perderam pela ação do tempo e das malinações de menino buchudo. Éramos tantos! Somos ainda.

Essa foto que divido com você é uma de que gosto muitíssimo. Estamos, os cinco primeiros de uma penca de sete filhos, meu tio Craço e minha mãe [meu pai estava sempre no trabalho], no terreno onde ainda hoje moram meus pais. Não havia a casa ainda. Era o ano de 1969. Talvez 1970, não tenho certeza. Lembro bem do vestido vermelho de poá branco e fita de entremeio na cintura. Minha mãe tinha o hábito odiável de nos vestir a mim e minha irmã mais velha, a pequenininha do lado, com roupas iguais. Mas o que gosto mais na foto é a intimidade com que minha mãe repousa a mão sobre minha cabeça. Tão distantes e diferentes fomos por anos sem fim. Fortes e intransigentes, nos perdemos tantas vezes. Quantas vezes testei sua capacidade de me guiar! Nem sabia mas aprendi lições para a vida toda com isso.

O primeiro filho a gente nunca esquece

O primeiro filho a gente não esquece Tinha 19 anos quando engravidei. A paixão pelo menino de apenas 16 anos foi mais forte que os planos da adolescente segura, cheia de si, estudante de arquitetura, futuro desenhado para ser urbanista, livre com suas convicções dentre elas a de não ter filhos.

A gravidez escondida por medo da rejeição transformou aqueles dias em momentos de dores, mas também de muitas delícias. Tempo de descobertas arrebatadoras. Descobri que crescer assusta e faz criar coragem. Um filho pode fazer isso. Gabriel veio talvez com essa missão. Meu anjo de olhos negros, que eu quis que viesse ao mundo sorrindo, me deu vida nova ao tornar-se pai.

Salve, Antônio dos meus dias felizes

Salve, Antônio dos meus dias felizes
Tinha 31 anos, um filho de 11 e um segundo casamento feliz quando Pedro bateu à nossa porta. Tarefa aceita com muita serenidade. Nunca estive tão bem: amada, respeitada, feliz no trabalho, plena. O menino que nos fez recomeçar, chegou sem saber que era presente divino, semente de um amor tamanho que rompe fronteiras de tempo e espaço rumo à luz.

Na vivência cotidiana me traz suavidade  e gentileza, que me fazem sentir menina no seu colo de homem de 13 anos e coração maduro. Por vezes rude e imediatista, me joga de volta às incertezas e à necessidade de aprender sempre.

,

10 Comentários

Contra o policiamento da internet

Para quem vai estar em São Paulo no dia 14 próximo. A dica é do Idelber Avelar
ato-contraai5digital

Nenhum comentário.

Assim fica difícil

A notícia é de ontem, mas amanheci com ela.

“Relator inocenta deputado dono de castelo”

Oquei, não é assim uma coisa inédita. O que choca é o descaramento da frase dita pelo nobre deputado Sérgio Marques Moraes, relator no processo de quebra de decoro parlamentar contra aquele outro muito mais nobre deputado, o sr. Edmar Moreira:

“Estou me lixando para a opinião pública. Vocês batem, mas a gente se reelege”.

Repare na certeza que há na fala dele, quase em tom profético. E quem se der o trabalho de ler a matéria lincada vai poder refletir um pouco mais sobre esse momento de purgação que este país atravessa. Com a mesma empáfia, Sérgio Marques diz que podem lhe “atirar fogo” que não tem medo. “Tenho sete mandatos e seis filhos, não é pouca vergonha eu estar aqui”.

Tem razão, deputado. É muita vergonha! Eu sinto uma vergonha profunda de ver um povo decente e trabalhador passar por tudo isso. Para quê? Por quê?

Vou seguindo meu dia de brasileira decente e trabalhadora com essas dúvidas enculcadas no juízo calejado. Mas é difícil de achar que o dia vai ser bom de fato. Generalizando, difícil acreditar nessa humanidade.

4 Comentários

Mapa dos buracos de Fortaleza

Como assim? Nas Secretarias Executivas Regionais não há um mapeamento da situação da buraqueira em Fortaleza. Pois não seja por isso! Acabo de enviar o seguinte email para a PMF:

Lendo o O Povo de hoje, vi que as Regionais não têm um mapa de como estão as vias da cidade.
Sugestão: Alguns blogueiros fizeram esse levantamento com a colaboração de internautas e isso virou um case local.
Anotem o endereço: http://maps.google.com/maps/ms?ie=UTF8&hl=en&source=embed&msa=0&msid=114434432094326506356.000468b42e61d4606e18c&ll=-3.780669,-38.502944&spn=0.206928,0.275088
Espero estar colaborando para o fim dos famigerados buracos ;)
Atenciosamente
Maísa

4 Comentários

Eu penso, penso, penso

pensar_ricardoliniers
Tira de Ricardo Liniers, aqui.

1 Comentário

Eu tenho medo de gripe

E isso é desde bem pequena. Os pesadelos febris estão vivíssimos na lembrança. Sustos tomados na cama dividida com mais quatro irmãos doentes. Infância humilde, bem, tá pensando o quê? Os chás. Pílulas disso e daquilo: as de cor rosinha, amassadas na colher, serviam para quase tudo. Não imaginava ouvir falar de gripe aviária [nem muito menos suína!] e já morria de medo do “gogo” das galinhas no terreiro da casa da vó. Ficava triste pelas coitadas, claro. Tão irremediavelmente feias! Mortas-vivas a ciscar. Mas, antes elas do que eu, afinal, pensava.

Foram muitas, mas não fiz as contas de quantas vezes caí de cama com GRIPE, daquelas do verbo ficar em casa gemendo e suando. Mas isso também foi só até chegar a dengue, né, que daí em diante só se tem vi-ro-se. E não é um cretino de um vírus que fica a brincar de se metamorfosear nas entranhas dos bestas?!

Prevenida, há uns anos me desfiz do preconceito e suporto a fisgada da agulha. Sou das primeiras na fila de vacinação lá da TV. E olha que nem passei dos 60 ainda. A história é que nem pensar em despedidas aos espirros. Papelão, perder tanta batalha pra vírus! Só não sei é se vai dar para controlar a preocupação com mais essa peripécia desse tal de Influenza.

oinctchimMas o bom é que o juízo dá conta de descontrair. Ando lembrando de uma brincadeira bestinha demais em que se perguntava pra criatura postada na sua frente, tesa sem piscar: “Teu pai matou um porco?”, “Teve medo do rabim?”. Ai de quem piscasse!

Para constar: O suíno aí do lado me foi apresentado num sítio estupendo lá em Guaramiranga. O “oinctchiiiiim” é coisa das tuitadas do Mário Aragão que gostei e trouxe, porcamente, para cá, via Photoshop.

2 Comentários